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Março 2026
Florestas, água, solos, biodiversidade, oceano e paisagens não são apenas ativos ambientais, são as infraestruturas invisíveis que sustentam cadeias de valor inteiras. Por isso, falar de capital natural é falar da base real da nossa economia e da nossa qualidade de vida.
O capital natural é tudo o que a natureza nos dá e sem o qual a economia simplesmente não funciona: a água que bebemos e que irriga os campos, os solos que produzem alimentos e florestas, os minerais que a indústria transforma, os oceanos e paisagens que regulam o clima, a biodiversidade que mantém estes sistemas vivos e em equilíbrio. Mas também o valor que as pessoas atribuem a um ambiente saudável, ao prazer de uma paisagem ou à saúde de uma comunidade.
Conhecer e gerir o capital natural significa mapear dependências, medir impactos e integrar essa informação na estratégia e na gestão.
Na fileira florestal, com forte peso nas exportações nacionais, a produtividade depende diretamente da saúde dos solos, da disponibilidade hídrica e da diversidade genética. A degradação destes fatores traduz-se em menor resiliência a pragas, maior vulnerabilidade a incêndios e perda de valor económico. Integrar métricas de capital natural na gestão florestal permite antecipar riscos, orientar investimentos em paisagens mais resilientes e reforçar a competitividade do setor.
Na agricultura, a produção de vinho é um caso paradigmático. A qualidade dos vinhos portugueses depende das características do solo, do regime hídrico, dos microclimas e da biodiversidade envolvente. Alterações nestes fatores afetam diretamente a produtividade, a qualidade e o posicionamento de mercado. Práticas regenerativas, conservação do solo e gestão eficiente da água são decisões estratégicas que protegem não apenas o ecossistema, mas também o valor económico e reputacional das marcas.
No turismo, a dependência do capital natural é igualmente evidente. Os campos de golfe, por exemplo, são ativos económicos relevantes, mas intensivos no uso de recursos hídricos e sensíveis à degradação ambiental. A integração do capital natural na sua gestão, através da eficiência hídrica, da reutilização de águas residuais tratadas, da escolha de espécies adaptadas ao clima e da proteção da biodiversidade, reduz riscos operacionais e reforça a sustentabilidade do destino.
A atividade imobiliária é outro exemplo crítico. O valor dos ativos imobiliários está fortemente associado à qualidade ambiental envolvente: proximidade a zonas verdes, vistas naturais, qualidade do ar, estabilidade costeira e conforto térmico. Projetos que ignoram riscos como erosão, cheias, ilhas de calor urbanas ou escassez de água enfrentam perdas de valor e custos acrescidos no futuro. Pelo contrário, integrar o capital natural no planeamento urbano e no desenvolvimento imobiliário, por meio de soluções baseadas na natureza, infraestruturas verdes e um desenho resiliente, aumenta a atratividade dos empreendimentos, reduz os riscos físicos e melhora a qualidade de vida dos utilizadores.
Também no setor financeiro, a integração do capital natural ganha importância. Bancos e investidores começam a avaliar a exposição das suas carteiras a riscos físicos, incêndios, escassez hídrica, eventos extremos e a riscos de transição regulatória. Esta análise melhora a qualidade da decisão de investimento e orienta o capital para atividades mais resilientes.
Portugal enfrenta desafios estruturais: os incêndios recorrentes, a pressão sobre recursos hídricos, a vulnerabilidade costeira, que exigem decisões mais informadas. Ignorar o capital natural é tomar decisões incompletas. Integrá-lo significa reforçar a robustez estratégica das organizações e a sua capacidade de prosperar num contexto de incerteza.
Num país onde os recursos naturais moldam profundamente a economia e a identidade, gerir o capital natural é, em última análise, gerir o futuro, com visão estratégica, responsabilidade e ambição de longo prazo.
A oportunidade está diante de nós. Assumir o capital natural como critério estratégico não é apenas mitigar riscos, é desbloquear inovação, criar valor duradouro e posicionar o país na linha da frente da economia do futuro. A Nature-based Living ajuda as organizações a fazer exatamente isso: identificar as dependências, avaliar os impactos e desenhar as soluções regenerativas à medida, que não se limitam a reduzir danos, mas que restauram, fortalecem e geram prosperidade de longo prazo.
O momento de agir é agora.